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Introdução

O Painel de Sistemas Alimentares (Food Systems Dashboard - FSD) tem como objetivo reunir dados de indicadores em uma única plataforma que permita o monitoramento de diferentes setores e subsetores dos sistemas alimentares globais e apresentar esses dados de forma visualmente amigável para que diferentes atores possam compreender a situação em seus territórios, identificar os principais desafios e priorizar ações em direção à sustentabilidade desses sistemas. Essa ferramenta oferece suporte para a descrição, diagnóstico e tomada de decisão sobre os sistemas alimentares nacionais, além de permitir a identificação de pontos de alavancagem prioritários para políticas públicas e ações intersetoriais.

A Iniciativa de Contagem Regressiva para os Sistemas Alimentares (Food Systems Countdown Initiative - FSCI) é um esforço científico internacional criado após a Cúpula das Nações Unidas sobre Sistemas Alimentares de 2021, que monitora, até 2030, a transformação dos sistemas alimentares por meio de 50 indicadores-chave sobre dietas, saúde, meio ambiente, meios de subsistência, governança e resiliência, alinhando-se aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e a outras metas globais.

Os dados, indicadores, níveis de desagregação e visualizações podem ser adaptados às circunstâncias e necessidades específicas de cada país. No Brasil, à frente de outros países que já passaram ou estão passando pelo processo de priorização de indicadores para um painel de monitoramento, existe um documento guia: O Marco de Referência em Sistemas Alimentares e Clima para Políticas Públicas.

O Marco de Referência, lançado na COP 30 em Belém, busca analisar a relação entre os sistemas alimentares e o clima, evidenciando a multiplicidade de abordagens, a partir da sistematização do conhecimento e de reflexões sobre possíveis caminhos. É um convite para a convergência e a articulação entre diferentes setores e espaços de formulação e execução da política pública, fortalecendo uma visão abrangente sobre as etapas do sistema alimentar, sem se sobrepor a quaisquer outras iniciativas.

O Marco de Referência parte de quatro premissas, elaboradas por evidências científicas: (1) a mudança do clima é uma realidade e seus efeitos já são percebidos em todo o planeta; (2) os sistemas alimentares contribuem para a mudança do clima e também sofrem seus impactos; (3) a mudança do clima agrava injustiças, amplia desigualdades e afeta principalmente populações em situação de vulnerabilidade; (4) o modelo de desenvolvimento atual contribui para a crise climática ao mesmo tempo em que é afetado por ela.

Com base em princípios como o Direito Humano à Alimentação Adequada, Soberania alimentar, Justiça climática, Participação social, Sustentabilidade, entre outros, o Marco propõe caminhos para a transformação em dois eixos.

O primeiro eixo trata da governança democrática e multidimensional, com caminhos para a articulação intersetorial, a participação social e os compromissos compartilhados entre diferentes níveis de governo. E, também incidir na concertação e cooperação das agendas técnicas e políticas internacionais em fóruns intergovernamentais e multilaterais, como este evento.

O segundo eixo aborda a transição para sistemas alimentares saudáveis, sustentáveis e resilientes, incluindo a promoção da agroecologia, a segurança hídrica, o fortalecimento da sociobiodiversidade, a construção de cidades resilientes, a promoção da alimentação adequada e saudável e a redução das perdas e do desperdício de alimentos, entre outros.

Após o lançamento do Marco de Referência, o foco é na sua implementação. A indução da sua implementação ocorre a partir da Estratégia Alimenta Cidades, que é uma iniciativa para apoiar os municípios na promoção e na transformação de seus sistemas alimentares urbanos, em sistemas mais justos e sustentáveis. A Estratégia dá concretude à implementação dos 15 caminhos do Marco. Hoje são 102 cidades participantes, distribuídas em todas as regiões do país, somando mais de 76 milhões de habitantes. Essa Estratégia está sendo ampliada para 1 mil cidades – Alimenta mil.

Nesse sentido, o presente projeto pretende promover o debate e a priorização de indicadores para o monitoramento da transição dos sistemas alimentares no contexto da crise climática, tendo como referência o Marco de Referência em Sistemas Alimentares e Clima para Políticas Públicas. Para isso, o engajamento com Ministérios, Institutos, Agências, Organizações da Sociedade Civil e parceiros relevantes é especialmente importante para guiar o trabalho e garantir que seja o mais relevante e útil possível para o Brasil.

O Projeto

Por meio de uma chamada pública amplamente divulgada, o Global Alliance for Improved Nutrition (GAIN), responsável pela condução do FSCI, selecionou a empresa brasileira Domingos & Figueroa Consultoria para conduzir a priorização de indicadores para monitoramento de sistemas alimentares no Brasil, dando continuidade à colaboração estabelecida desde maio de 2025 no âmbito da Iniciativa sobre Ação Climática e Nutrição (I-CAN) no país.

Entre outubro e novembro de 2025, foram realizados:

  • O mapeamento de atores relevantes no cenário de sistemas alimentares e clima no Brasil bem como de fontes de dados oficiais para o cálculo de um catálogo amplo de indicadores do FSD no nível subnacional (macrorregiões, estados ou municípios);
  • O levantamento situacional de outras iniciativas de monitoramento de sistemas alimentares no país; e
  • Curadoria técnica rigorosa dos indicadores, partindo de um vasto universo de dados para selecionar cerca de 130 indicadores que atendessem a critérios essenciais: dados disponíveis e frequentes, boa cobertura geográfica no Brasil e metodologias transparentes.

A próxima etapa do projeto consiste na realização de um processo de discussão técnica aprofundada sobre indicadores de sistemas alimentares voltados ao monitoramento dos caminhos de transformação previstos no Marco de Referência de Sistemas Alimentares e Clima para as Políticas Públicas. O objetivo é subsidiar a priorização e o refinamento do conjunto de indicadores, a partir dos caminhos do Marco de Referência, incorporando contribuições de especialistas e instituições com atuação relevante na agenda de sistemas alimentares e clima no Brasil.

Esse processo será conduzido por meio de duas estratégias complementares:

  • Aplicação de um questionário eletrônico para coleta sistemática de percepções, avaliações e contribuições de atores estratégicos vinculados às agendas de sistemas alimentares e clima no país;
  • Realização de um workshop técnico presencial, nos dias 22 e 23 de junho, em Brasília, reunindo representantes de instituições governamentais, academia, sociedade civil, setor produtivo e organismos internacionais, com o objetivo de aprofundar a análise, discussão e priorização dos indicadores selecionados.

Esta documentação

Esta documentação fornece as informações técnicas sobre o processo de curadoria de indicadores na aba “Curadoria de indicadores”, processo de divisão em áreas temáticas na aba “Áreas temáticas e caminhos do Marco de Referência” e apresenta as “Fichas técnicas” de todos os indicadores, organizadas por áreas temáticas.